O beijo no audiovisual

A representação do beijo é um clichê no audiovisual.

Hoje é muito comum assistir a essas cenas, mas nem sempre foi assim. No início do cinema e eventualmente da televisão, a forma de representar o beijo era uma questão moral. E as primeiras cenas, por mais curtas que fossem escandalizaram a sociedade da época.

Primeiro beijo gay do cinema

Com o tempo, as barreiras para cenas de afeto, que inicialmente eram consideradas promíscuas, foram se quebrando e as cenas de beijos foram sendo cada vez mais aceitas e se tornando cada vez mais comuns.

Contudo, representações de afeto por pessoas do mesmo gênero ainda eram um grande tabu.

O primeiro beijo gay exibido audiovisualmente foi no filme norte-americano “Asas” de 1927. O filme se passa na Primeira Guerra Mundial e retrata o triângulo amoroso entre dois soldados (Buddy Rogers e Richard Allen) e a personagem de Clara Bow. Porém, esse beijo não escandalizou a sociedade por não ter sido considerado um ato romântico e sim uma prática comum entre os soldados que estivessem do mesmo lado das trincheiras.

Não sei vocês, mas eu achei bem romântico!

E o primeiro beijo homossexual feminino, aconteceu no filme alemão “Meninas de Uniforme”, de 1931, entre a protagonista de 14 anos e sua professora. Essa cena foi extremamente criticada e censurada

Primeiro beijo gay da televisão brasileira

Já se falando em televisão brasileira, embora personagens homossexuais já fossem representados na teledramaturgia há anos, o primeiro beijo entre duas pessoas do mesmo sexo aconteceu muito tardiamente.

Aconteceu em “Amor à vida” de 2013 e embora tenha sido apenas um selinho, a cena foi comemorada e criticada na mesma intensidade, sendo um divisor de águas na televisão brasileira.

Antes de “Amor a vida”, foi gravada uma cena de beijo gay em “América” de 2005, mas que nunca foi ao ar. E na novela “Torre de Babel” de 1998, os roteiristas mataram as personagens de Christiane Torlone e Silvia Pfeifer pela má aceitação do público.

Representação da homossexualidade na televisão

A representação de pessoas homossexuais em novelas sempre foi insatisfatória. Com personagens rasos, que vivem isolados, estereótipos usados como núcleo cômico e conflitos que giram em torno exclusivamente da sexualidade.

E quando se fala sobre a representação especificamente lésbica, a tendência era super sexualização dos corpos femininos.

A evolução

Contudo, pode se dizer que mesmo a passos muito lentos, essa forma de representar pessoas homossexuais e beijo gay na teledramaturgia tem evoluído.

Essa evolução aconteceu em relação a:

-obras mais juvenis, como em malhação

Manoela Aliperti e Giovanna Grígio – “Malhação – Viva a Diferença” (2018)

Essa cena é importante, pois foi o primeiro beijo entre mulheres de todas as edições de “Malhação”, foi representada por personagens adolescentes e em uma obra de público-alvo juvenil e tornou a protagonista, a primeira protagonista gay do programa.

– Inserção de atores mais velhos

Fernanda Montenegro e Nathália Timberg — “Babilônia” (2015)

O beijo entre duas senhoras na faixa dos 70 anos, e logo no primeiro capítulo da novela “Babilônia” foi uma evolução muito interessante, mas que foi muito mal vista pelos conservadores que falam em nome da “família tradicional brasileira”. A partir disso, o beijo pode ter sido o motivo da novela ter tido níveis de rejeição gigantes.

-Homossexualidade em novelas de época

Juliano Laham e Pedro Henrique Müller – “Orgulho e Paixão” (2018)

A novela abordou o romance homossexual entre um militar e um mecânico no início do século XX. Foi pioneira em mostrar o beijo entre duas pessoas do mesmo gênero em novelas das 18h e com temática de época.

Cenas amorosas que vão além do selinho

Caio Blat e Ricardo Pereira – “Liberdade, Liberdade” (2016)

Na novela “Liberdade, Liberdade”, que conta os bastidores da Inconfidência mineira, os diretores foram além do que já havia sido mostrado e Caio Blat e Ricardo Pereira protagonizaram o que seria a primeira cena de sexo entre dois homens da televisão brasileira.

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