A luta LGBTQIA+ avançou muito nos últimos anos em diversos aspectos, um dele sendo o mercado de trabalho. É claro que, infelizmente, ainda há de se percorrer um caminho longo para alcançarmos a igualdade, mas cada vez mais o mercado se mostra mais aberto e disposto a mudar. Hoje vamos trazer a história e visão de duas pessoas que se firmaram no mercado de trabalho sendo quem são e lutando pela causa. Trouxemos hoje a visão de duas pessoas de estados diferentes, mas que lutam pela mesma causa: LGBTQIA+.

“Eu nunca tive nenhum problema, sempre fui muito respeitado em todas as empresas que passei”, nos contou Lucas Miranda, 24 anos, que mora em Cotia/SP e trabalha em Barueri/SP, numa equipe comercial, mas ele admite que faz parte de uma pequena parcela do grupo LGBTQIA+ que tem essa sorte no mercado de trabalho. “O preconceito sempre existe”, afirma. Apesar de nunca ter sofrido nenhum tipo de agressão física ou verbal, ele confessa que já recebeu e ainda recebe muitos olhares tortos. Em processos seletivos, ele percebe que ainda existe muito preconceito ao “diferente”; se tem um candidato com cabelo ou estilo diferente, por exemplo, a pessoa recebe mais olhares tortos e muitas vezes tem menos chances de passar, mesmo tendo a mesma capacidade de uma pessoa com estilo “comum”.

“Eu sou um em milhão”, ele nos conta, afirmando que possui diversos amigos que acabaram passando por situações constrangedoras no mercado de trabalho. Agora, ele está fazendo parte de uma ação de conscientização LGBTQIA+ dentro de sua empresa. “A gente está fazendo uma ação de comunicação interna explicando alguns termos, desmitificando algumas dúvidas, fazendo posts, dando dicas de filmes e livros da cultura LGBTQIA+”. A ação surgiu agora, no mês de junho, para o mês da conscientização, mas ele quer levar mais para frente, para que seja uma ação contínua no combate ao preconceito. Inclusive, começarão a fazer lives com pessoas LGBTQIA+ que possuem bastante relevância na luta.

Conversamos também com a Beatriz Albuquerque, 23 anos, de Recife/PE. A Beatriz, além de já ser minoria por pertencer ao grupo LGBTQIA+, também está num meio majoritariamente masculino: ela é desenvolvedora de software. “Eu nunca notei no mercado de trabalho por onde passei e nas empresas que trabalhei muito preconceito em relação à pauta. Ao menos nada muito explícito”, ela nos conta. Ela diz ainda que teve sorte de ter o suporte da família — apesar de no começo ter sido muito difícil, hoje em dia ela tem apoio. Beatriz afirma que, principalmente no Brasil, essa atividade (computação, engenharia e profissões relacionadas ao cálculo e à tecnologia) é considerada mais para homem. Na faculdade, turmas de 40 alunos, normalmente tem-se duas ou três mulheres — na sala dela, eram cinco, e isso era considerado um recorde.

Para Beatriz, uma coisa que ajuda muito no combate ao preconceito são os programas de apoio à causa LGBTQIA+ e questões raciais, como a que o Lucas está fazendo. “As pessoas não percebem, mas eu preciso me esforçar muito mais que os homens para poder ter reconhecimento nas coisas que eu faço. É como se às vezes eu tivesse que me provar melhor em algo quando, por default, os homens brancos cis heterossexuais já sejam muito bons naquilo e ninguém duvida da capacidade deles”. Ela nos conta, ainda, que é um fato irônica, dado que o pai da computação era um homem gay, que na época as pessoas viam a homossexualidade como doença e, apesar da genialidade dele, ele foi tratado como louco.

Percebemos que ainda há muitas lutas a se vencer, mas pequenas vitórias, como as de Beatriz e Lucas, alegram o nosso dia. Que ações de conscientização LGBTQIA+ em empresas sejam cada vez mais comuns!

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