Luara Redfield desapareceu na cidade de Mairinque (SP) e foi encontrada morta 12 dias depois. O namorado de Luara confessou as autoridades que matou a jovem de 19 anos. Amigos e familiares foram pegos de surpresa com a triste e brutal notícia de sua morte e organizaram uma manifestação em sua homenagem e pedindo justiça no último dia 23.

Em entrevista ao portal de notícias G1 o pastor evangélico Luis Henrique Leandro Ferreira, pai de Luara, disse que a filha lutava pelo movimento com todas as suas forças e por isso irá fazer o mesmo “Vou abraçar a causa porque eles precisam. Vou ter retaliação por ser um pastor evangélico, mas não devo nada para ninguém. Perder a filha é uma dor que eu nunca senti na vida, imensurável”, relatou.

Infelizmente, esse não é um caso isolado: apenas em 2019 foram registrados 124 assassinatos de pessoas trans segundo dossiê da ANTRA (Associação Nacional de Trans e Travestis). O país segue no topo de assassinatos contra pessoas trans e nada tem sido feito. Até mesmo o levantamento destes números é feito por movimentos sociais: o não registro não permite que dados sejam gerados e mascara os números reais. A subnotificação é um problema tão grave quanto a violência em si, pois é uma violência institucional que não reconhece as causas da LGBTfobia e ignora suas consequências.

Luis Henrique Leandro Ferreira

Segundo o pai, Luara era ativista e sempre incentivava as pessoas a lutar pelos seus direitos e afirma que ela enfrentava preconceito diariamente: quando Luara entregava currículos em lojas diziam que ali não contratavam mulheres trans. Porém, a filha não desistiu e começou a vender brigadeiros para ter o seu dinheiro. Disse também que a filha ajudava nas contas de casa e atividades domésticas.

“As pessoas me falavam ‘Nossa, pastor com filha transexual?’. Ninguém tem o direito de julgar ninguém. As pessoas têm que entender que enquanto houver desrespeito às diferenças haverá guerra, morte. Ela era dedicada a causa mais que muitos que vejo na minha religião.”

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