Em 1983, no dia 19 de agosto, aconteceu um levante popular conhecido como “Stonewall Brasileiro”. Mulheres lésbicas que frequentavam o Ferro’s Bar protestaram contra os abusos que sofriam no local. As ativistas do Grupo Ação Lésbica Feminista (GALF) também protestavam pelo direito de distribuir o folhetim “ChanaComChana” que apresentava pautas progressistas e revolucionárias. É importante frisar que essa movimentação aconteceu durante a redemocratização do país. Uma das ativistas que estava presente na ação, Mirian Martinho, falou em entrevista recente para o Observatório UOL sobre como funcionou a organização do protesto.

“Lembro que tive muito medo da polícia aparecer e nos levar presas. Tive medo da imprensa também. Não era muito confortável aparecer nas páginas dos jornais na época. Mas organizamos tudo de forma a minimizar os riscos: chamamos os grupos gays da época e algumas feministas para dar apoio. A vereadora Irede Cardoso foi uma das parlamentares pioneiras no apoio aos direitos homossexuais no Brasil, pedimos cobertura da OAB, chamamos a imprensa.”

“Chegamos no dia 19 de agosto e tentamos entrar no Ferro’s. O porteiro fechou a porta para que a gente não entrasse. Passamos a conversar com as mulheres que estavam do lado de fora do bar, juntamos gente, mais os grupos que estavam dando apoio, tentamos de novo. O porteiro enfiou a mão na cara de uma das integrantes do GALF, pela porta entreaberta. Um homem aproveitou e jogou fora o boné do porteiro, ele se distraiu e entramos todos”.

No dia 29 de agosto comemoramos o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica, em homenagem ao primeiro Seminário Nacional de Lésbicas (Senale) ocorrido nesse mesmo dia em 1996, organizado pelo Coletivo de Lésbicas do Rio de Janeiro. Apesar de muitos avanços, mulheres lésbicas continuam invisibilizadas na sociedade, e até mesmo dentro dos movimentos progressistas. O apagamento lésbico é causa e consequência da lesbofobia: lésbicas sofrem misoginia, lesbofobia e fetichização, e quando não recortamos esse debate permitimos que essas violências continuem presentes no cotidiano dessas mulheres.

Abaixo listamos cinco mulheres lésbicas para você acompanhar.

Elayne Baeta – Autora do romance “O Amor não é Óbvio”, nordestina e ilustradora. Elayne também conduz um podcast chamado “Lésbica & Ansiosa”.

Julia Aquino – Carioca, estudante de psicologia e idealizadora do movimento “Milita PCD”

Carla Candace – Também conhecida como “Vegana Sem Grana”, a baiana tem mais de 70 mil seguidores no instagram onde posta receitas sem produtos de origem animal.

Lari do perfil Lésbicas na História – De ascendência Puki e membra da Rede Latinoamericana AMAI LGBTQIA+. No perfil “Lésbicas na História” ela faz um resgate da contribuição de mulheres lésbicas na história.

Caren Lopes – “Médica Veterinária e Preta Sapatão”, é assim que Caren se apresenta em suas redes sociais. Fala sobre negritude e lesbianidade dentro do meio acadêmico e no mercado de trabalho.

Links

https://www.instagram.com/elaynebaeta/

https://www.instagram.com/xuliaaquino/

https://www.instagram.com/vegana.semgrana/

https://www.instagram.com/lesbicasnahistoria/

https://www.instagram.com/vetcaren/

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